Após engarrafamento no Rio, Roberta Sá topa dirigir DVD de Anna Ratto

Posted by Chris Fuscaldo Category: Entrevistas

O trânsito do Rio de Janeiro tem irritado cada vez mais os cariocas. Mas, para Anna Ratto, foi dentro de um carro, em um desses dias insuportáveis, que acabou tomando coragem para tocar um projeto que há tempos estava em sua cabeça: a gravação de seu primeiro DVD, com a direção de Roberta Sá. Amigas há anos, as cantoras voltavam da gravação do “Samba na Gamboa”, uma produção da TV Brasil, quando começaram a conversar sobre o assunto.

“Muito trânsito naquela tarde… Aí, deu pano pra manga! Ela reforçando. Mil ideias na cabeça, as duas em ebulição! Daí, percebendo empolgação, chamei Roberta pra fazer parte do time! Colhi maduro! Ela aceitou, prontamente. Desde então, seguimos com o projeto”, relembra Anna.

Com dez anos de carreira e três discos lançados, a cantora e compositora subirá ao palco do Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33/37, Cinelândia) nesta quarta-feira (12/02), às 19h30, para apresentar canções menos e mais maduras pinçadas de sua obra. E receberá Erasmo Carlos e Lucas Vasconcellos (do duo carioca Letuce) como convidados.

“São três discos com muita história pra contar. No decorrer da caminhada, as canções vão ganhando maturidade, tomando novas formas. A gente vai ganhando estrada, coragem. Não queria passar para um quarto disco sem um registro ao vivo do trajeto até aqui”, afirma.

Músicas como “Cabra-Cega”, “Penumbra”, “Seu Moço” (parceria com Edu Krieger), “Serena”, “Perto-Longe” e “Seja Lá Como For” estarão no repertório. Releituras e novidades também, mas o público pode e deve esperar canções com repaginadas. A banda que acompanhará Anna Ratto é formada pelos músicos Fernando Caneca (guitarra), Emerson Mardhine (baixo) – que acompanham a cantora desde o início – Marcelo Costa (percussão), Cesinha (bateria) – que já fizeram parte do trabalho em momentos distintos – e Lucas Vasconcellos (guitarra e programações). Roberta assinará a a direção junto a Rodrigo Vidal, produtor musical dos três discos de Anna. O responsável pela direção geral é David Pacheco.

Leia uma entrevista com Anna Ratto:

Anna Ratto em foto da Paprica Fotografia

Anna Ratto em foto da Paprica Fotografia

Você já estava pensando em gravar o DVD quando surgiu o papo com Roberta?

Sim, já vinha amadurecendo a ideia, sem pressa. Intuição de que a hora “boa” se aproximava. Três discos, alguns muuuitos shows, experimentos, erros, acertos… O material foi amadurecendo, se transformando… A gente vai criando “casca”. E aí, vem a necessidade de um registro bem feito, com qualidade, “vivo”, do trajeto. E isso tudo veio à tona num papo com a Roberta, voltando da gravação do ‘Samba na Gamboa’, no qual participamos juntas.

O que significa ter uma amiga e parceira musical assumindo essa posição? Como está sendo a preparação e quais são as expectativas para o dia da gravação e o resultado final?

Trabalhar com quem a gente ama é muito gostoso. Ela representa um “olhar de fora” fundamental. Nos conhecemos há muitos anos. A música é o nosso ponto de partida. Então, é muito natural pra a gente… A Beta mergulhou um pouco antes na carreira. Tem um lindo percurso. Ela traz a experiências dela, que já não é “coisa pouca”. Além disso, sempre achei que ela levava jeito pra estar desse outro lado também. Ela pira nas ideias, ajuda a construir, conceber. Tem ótimo gosto e bom senso. E acho que temos lados opostos e, ao mesmo tempo, complementares que nos fazem muito bem. 🙂 E sobre ter parceiros-amigos musicais… Só tem gente muito próxima e querida nesse trabalho. O Rodrigo Vidal, produtor musical dos meus três discos é meu “irmão” e está dividindo a direção, lindamente! O David Pacheco, que vai dirigir o vídeo, é um querido que conheci recentemente, mas já é “gente nossa”! Os meninos da banda, a parte técnica, produção… É muito prazeroso quando tá todo mundo inteiro, envolvido na causa. Fora a competência e o talento dessa turma…

Sua trajetória sofreu (ou ganhou) algumas mudanças. Não só suas composições, né? Até seu nome mudou. Como você avalia o momento atual e o que disso tudo você levará para o palco durante a gravação do DVD?

Sim. Sou sagitariana! Das puras. Detesto mesmice… rs Mas fora o nome, nada de tão radical. São os vários vértices se mostrando. Cada um no seu tempo. A questão do nome foi uma coincidência chatinha. Circunstância que me obrigou a mudar. Mas nem vou me estender nisso porque, hoje, tenho certeza de que foi pro bem. Acho que o “Ratto” me trouxe bons “efeitos colaterais”. Me deu mais gás, mais força. Contrasta um pouco com uma certa imagem que passo. Com a minha própria figura, talvez. Isso reflete no trabalho, no palco. Acho positivo.

Gosto muito do meu momento. Quando olho pra trás, me vejo fazendo tudo outra vez. De verdade mesmo. As músicas que gravei, as que compus, as parcerias, as derrapadas, as “bolas dentro”. Tudo. É o meu trajeto. E é disso que vamos “falar” no DVD. Vou contar no palco, essa minha historinha musical, até aqui.

Fale um pouco do repertório e do porquê das suas escolhas.

Vamos fazer as canções que consideramos mais marcantes dos três discos. Um grande apanhado da carreira. E alguma novidade também. Preservamos as ideias originais dos discos, mas com sensação de frescor. Até pela formação da banda. A entrada do Lucas Vasconcellos, do Marcelo Costa, do Cesinha… Com os que já me acompanham (Caneca, Emerson, Fabrizio)… Isso, por si só, já mexe na estrutura. E acabamos de incluir uma música inédita, fresquinha! Música minha, inacabada, que o Lucas finalizou com louvor! Primeira parceria nossa.

Fale dos convidados. Por que o Tremendão? Por que o Lucas? 

O Erasmo tá sendo um sonho divino. Acho ele um dos “monstros” da música brasileira. Gravei “Cachaça Mecânica”, dele e do Roberto Carlos, no segundo disco. Um primor de 1973 que o Vidal me apresentou. Pirei! E vamos dividi-la “ao vivo”. Depois disso, posso passar pro outro plano, feliz, de samba, cachaça e folia, como diz a letra. Ouso, humildemente, dizer que é dos nossos maiores compositores. Uma obra fantástica. Os lados B dele também são incríveis, além das mais populares! Vale muito pesquisar. Vai ser uma celebração! Uma honra…

O Lucas é outro talento! Adoro Letuce. E andei vendo outras produções dele em projetos paralelos. Vi ele com Katia B., por exemplo, e com Alice Caymmi. E chapei com o seu disco novo, autoral, lançado recentemente. A ideia inicial era chamá-lo pra integrar a banda. Ele traz referências outras. Tem essa onda contemporânea, ousada. Ele topou. Vai estar, portanto, do começo ao fim do show. Mas não dava pra não puxá-lo pra “frente”, em algum momento do show! Um super artista/compositor. E fiquei com muita vontade de cantar a minha preferida do disco dele, em duo. Chama-se “Eu Não Vou Chorar Por Fora”. Ele curtiu também e vamos fazer!

Conte como vai ser o cenário, o figurino, a banda etc.

Primeiro, queria falar de um parceiro importantíssimo, que nos ajudou a viabilizar essa gravação, que é o Canal Brasil. Sou uma fã da qualidade da programação, e achei maravilhoso estarmos juntos nessa empreitada. Muito grata à disponibilidade deles. E à Roberta, que “linkou” a gente. Aaaahhhh, de resto, posso contar quem está “tramando” coisas, mas só verá quem chegar lá no dia 12!! É justo, né? rs =) O cenário é da Gigi Barreto e equipe (do Escritório de Arte), o Milton Castanheira tá caprichando no figurino. A banda é “chocrível”! Só gente fera! Além disso, teremos coisas bacanas que entrarão como extras… Mas isso, também não posso contar…

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