Este é o último fim de semana para assistir ao musical sobre Emilinha e Marlene

Posted by Chris Fuscaldo Category: Trabalhos

Este é o último fim de semana para quem dá valor à história da música conhecer a parte dela que envolve Emilinha e Marlene, duas estrelas que tiveram suas carreiras marcadas por sucessos e disputas. “Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio” está em cartaz no Teatro Maison de France de quinta a domingo (quinta e sexta às 19h30 e sábado e domingo às 18h30). Aproveite!

Clique no link ou leia abaixo o texto publicado na revista The Mark em 15/02/2012:

Quem não conhece “Chiquita Bacana” ou nunca ouviu “Coitadinho do papai”? Entra ano, sai ano e o carnaval do Rio de Janeiro sempre chama a atenção não só por oferecer o maior espetáculo do Brasil, que são os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí (agora com a Apoteose reformada), mas também por abrigar blocos de rua que tornam a diversão mais democrática. Espalhados por toda a cidade e com programação para todos os gostos, eles priorizam, em sua maioria, as marchinhas, gênero de música popular que surgiu na década de 20 e teve seu auge nos anos 40, quando nomes como Emilinha Borba e Marlene popularizaram, respectivamente, os dois sucessos citados acima. No musical “Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio”, em cartaz no Teatro Maison de France de quinta a domingo até  11 de março, as atrizes Vanessa Gerbelli e Solange Badin interpretam algumas marchas, fazendo com que espectadores daquela geração relembrem e jovens apaixonados pela cultura carioca se encantem com a história das duas cantoras e da relação delas com o carnaval.

Uma composição de Alberto Ribeiro e João de Barro, “Chiquita Bacana” foi a música que colocou Emilinha como favorita ao posto de Rainha do Rádio, em 1949. Promovido pela Rádio Nacional, o concurso acabou coroando Marlene, que já tinha em seu repertório a marchinha “Coitadinho do papai”, de Henrique de Almeida e M. Garcez. O episódio marcou o início da rivalidade entre os fãs de Emilinha e Marlene e, de certa forma, também entre as cantoras. Na peça, Vanessa e Solange promovem risos e choros ao mostrar situações como a alfinetada de Marlene quando, em seu casamento com Luís Rufino, lembra Emilinha de que seu namoro com Arthur Souza Costa Filho já dura dez anos. A briga de duas irmãs costura a trama: de um lado da casa, o quarto de Bia (Ângela Rebello) é repleto de objetos que adquiriu durante o período em que seguiu Emilinha e, do outro, Gegê (Rosa Douat) guarda relíquias de Marlene.

Só em 1953, Emilinha foi finalmente coroada como Rainha do Rádio. Na década de 70, ela parou de cantar após ter um edema nas cordas vocais. Marlene gravou um disco intitulado “Antologia da Machinha”, no qual interpretou clássicos como “Ta-i”, “Moreninha no Rio”, “A Banda” e “Se a Lua Contasse”. O musical mostra cenas de preocupação de uma com a outra e de encontros e desencontros. Quando Marlene volta de Paris, onde se apresentou como convidada de Edith Piaf – na peça incorporada por Cilene Guedes – Emilinha espezinha o fracasso da brasileira ao lado da maior cantora francesa. Em determinado momento, Gegê implica com Bia porque a ídola da irmã nunca renovou seu repertório, enquanto Marlene passeou por diversos gêneros musicais. A renomada diretora Bibi Ferreira, que no Maison de France ganha ótima interpretação também de Cilene Guedes, tenta reunir as duas em um espetáculo, mas não consegue. Marlene chegou a atuar em um espetáculo chamado “Carnavália”. As duas rainhas do rádio se encontram  no mesmo palco já na década de 90, no show “Vivendo a Rádio Nacional”, ao lado de Ângela Maria, Cauby Peixoto e Miéle.

Mas, como nenhuma briga é eterna, as rainhas do rádio fazem as pazes quando Emilinha grava um disco independente e convida Marlene para dividir o microfone com ela no hit sertanejo “Entre Tapas e Beijos”. A canção não vai ser lembrada no carnaval, mas as marchinhas da dupla, com certeza, vão.

 

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