Abusos supostamente cometidos por ’emos’ viram alvo dez anos depois

Posted by Chris Fuscaldo Category: Garota FM

Dez anos, cinco meses e dezenove dias. Esse foi o tempo que a grande imprensa levou para repercutir uma atitude que, entre várias outras, agrediu muitas mulheres. A repercutir, não. A compreender que aquilo não era mimimi. Não era frescura. E que não!, nenhum ídolo tem o direito de tratar fãs como se fossem seus brinquedos.

Em 22 de dezembro de 2009, o Uol e o Yahoo postaram a notícia de que o baterista de uma bandinha chamada Strike teria dado xixi para uma fã beber e eu, no Garota FM, além de noticiar o ocorrido, fiz uma matéria convidando formadores de opinião (entre eles Gregório Duvivier e Zélia Duncan) para comentarem o caso. Eu estava com muita raiva. Meus entrevistados, também. No entanto, o assunto morreu ali mesmo e nunca mais ninguém acusou músico emo nenhum de nada.

Os anos se passaram, a lei do “politicamente incorreto” prosperou, o feminismo tomou um grande espaço na sociedade e, finalmente, o debate veio à tona através de um perfil no Twitter, o #ExposedEmo. Diversas acusações de meninas – que foram fãs de bandas do estilo naquela época – renderam uma matéria no G1, escrita pelo jornalista Rodrigo Ortega. O site da Globo pegou como caso a comentar uma conversa do Japinha, baterista da banda CPM 22, com uma menina de 16 anos, em 2012. Ele tinha 36, mas dizia à fã que tinha 18 e focava o papo na virgindade da garota. O G1 fez uma entrevista com o músico, que alegou ter sido “brincadeira”.

Além do caso Japinha, o #ExposedEmo está expondo uma série de outras supostas atrocidades cometidas por músicos. Se todas são verdadeiras, não sei. Mas, entre elas, o perfil postou o meu post, que, sim, foi publicado após a apuração desta jornalista que vos escreve.

Hoje, “brincadeiras” do tipo não têm mais espaço. E nunca deveriam ter tido, porque foi por causa de brincadeiras como essas que as mulheres sempre estiveram em um lugar de subalternidade. Os absurdos demoraram a aparecer, mas estão aí para todo mundo ver e procurar saber. O que espero é que, das histórias contadas, que as verdadeiras sejam comprovadas e os autores dos abusos sejam punidos, mesmo que tardiamente.

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