Desenhos de Thaís Leão são a estrela do clipe ‘Se essa rua fosse minha / Pombinha branca’

Posted by Chris Fuscaldo Category: Mundo Ficção

Conheço Thaís Leão desde quando tínhamos cinco anos e passamos a estudar juntas. Logo que a amizade começou a se fortalecer, ela mudou de escola e nós só fomos nos reencontrar dez anos depois, quando me mudei para o mesmo colégio. Na época, parecia um longo tempo, mas ele mesmo, o tempo, foi passando e, quando nos demos conta, já contabilizávamos mais de 30 anos de amizade. Lembro de Thaís desenhando o tempo todo. Eu olhava, ria e me perguntava se ela teria boas notas nas outras matérias que não eram ligadas às artes. Mas, sim, no final, sempre dava tudo certo. Eu chegava a nutrir uma certa inveja, afinal, eu amava o violão, mas não tinha como levá-lo para a sala de aula sem chamar atenção… A inveja era boa e eu vivia incentivando Thaís. Acho que por isso, acabava lucrando com o amor dela pelos traços: tenho até hoje várias divisórias de fichário rabiscadas por minha amiga.

Na adolescência, ficamos ainda mais próximas ainda porque também morávamos perto uma da outra, em Niterói. Crescemos juntas, saímos muito juntas, rimos e choramos juntas. Dividimos muitas histórias, como a daquele dia em que voltamos de uma boate na boleia de um caminhão de reboque porque uns vândalos furaram os quatro pneus do carro dela enquanto dançávamos sem pensar no amanhã. Thaís estudou artes e virou especialista em criar estampas. Produziu peças de roupa, almofadas, canecas, cadernos, coisas tão lindas que só não fui à falência porque controlo minhas crises consumistas. Recentemente, Thaís resolveu aprimorar seus conhecimentos e passou a fazer aulas de Lettering e Ilustração Editorial no Curso Animator, comandado pelas também artistas Ludmila Kraichete e Thais Leal. Foi lá que decidi gravar um clipe no qual eu quis de toda forma que minha amiga de infância participasse.

Se essa rua fosse minha / Pombinha branca é um pot-pourri de duas canções do folclore que lembram a época em que conheci Thaís. Eram músicas que minha avó paterna cantava para mim, e eu decidi registrá-las no meu álbum “Mundo Ficção”. Tive o auxílio luxuoso do produtor e multi-instrumentista Juan Cardoni: ele transformou as canções de roda em um punk rock animado. Dirigido por Juliana Stott, o clipe tem um quê de lyric video. Nele, Thaís Leão transformou a letra das músicas em arte e as ilustrou em tempo real de forma divertida, com seu traço leve e sua energia positiva. Foi uma delícia dividir a cena com essa amiga tão especial e poder ter mais um pouco de seus desenhos em minha história.

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