The Monkees ganha merecida e tardia biografia

Posted by Cornélio Melo Category: Colaborações

Em 1966, eu tinha 15 anos de idade. Mal havia acabado por conhecer, ou melhor, por assistir aos Beatles “mexendo-se” no filme Help (sim, naquele tempo conhecíamos e cultuávamos 95% dos nossos ídolos da música através de fotos em capas de discos ou reportagens em revistas e jornais) quando surgiu no pedaço uma banda americana fazendo o mesmo estardalhaço que vinham fazendo os fabfour desde a sua chegada ao Brasil, em 1964. Sucesso absoluto!

Eu acabava de entrar para uma banda de rock, Os Trogloditas, e lá estava tentando tirar no teclado o riff “simplezinho” de I’m a Believer. Fiz até uma versão para esta música, pois ter acesso a uma letra original (e correta) naquele tempo, era outro suplício. Mas o interessante disso é que vidrei mesmo quando ouvi no rádio pela primeira vez o riff de guitarra e baixo de Last Train To Clarksville. Eu ainda encontrava-me anestesiado com o riff também de guitarra e baixo de Mr. Tambourine Man, que a concorrente americana The Byrds lançara no ano anterior.

Eu e Luis “Bacana”, meu inseparável e musical amigo, além de técnico de som dos Trogloditas, não fizemos por menos: juntamos nossos trocados e corremos para Copacabana para comprar primeiro long play recém-lançado do The Monkees, que tinha como título o nome da banda.

Durante os anos de 1966 e 67, nosso repertório era recheado de hits e alguns lados “B” desse primeiro LP, do segundo, More Of The Monkees, e do terceiro, Headquarters. Confesso minha preferência pelas canções Last Train to Clarksville, She e You Just May Be The One. Qual não foi minha surpresa ao recentemente ser apresentado a um cara muito bom de papo, além de conhecedor profundo da cultura sessentista chamado Sergio Farias?! A apresentação feita por Chris Fuscaldo (jornalista, cantora, compositora e escritora que, após o sucesso, do livro Discobiografia Legionária, acaba de lançar o Discobiografia Mutante), foi muito oportura já que, de cara, começamos por estabelecer a nossa linguagem musical.

Serginho, como carinhosamente o chamamos, acaba de lançar Love Is Understanding – A vida e a época de Peter Tork e os Monkees, e a produção desse livro tantos anos depois da banda ter sumido da nossa mídia (só no Brasil! Leiam o livro para ver que os caras trabalham até hoje, e muito!) me impressionou bastante. Além do principal personagem, o multiinstrumentista Peter Tork, baixista da banda e ídolo maior do Serginho, o livro viaja pelos bastidores e principais palcos da música inglesa e americana, com relatos inteligentes e claros do que foi o mundo naqueles loucos anos 60 e o que rolou dali para frente. Sergio mostra, com muita clareza, os momentos politicos e sociais mais relevantes e a contracultura adotada pela juventude que clamava por sexo, drogas, rock’n roll, liberdade de expressão e lutava contra a convocação dos jovens americanos para a guerra no Vietnan. Tudo em nome da paz e do amor!

Interessante dizer também que Serginho não viveu essa época e daí meu apreço maior por sua obra, que devorei em dois dias já que eu, um sobrevivente dos anos 60 (como realmente me considero, assim como à toda aquela nossa geração), fiquei completamente envolvido por essa viagem ao passado. Descobri muitas coisas que desconhecia, tanto dos biografados quanto do mundo em que vivi e vivo, emocionando-me em diversos momentos como se estivesse entrando numa máquina do tempo, como na maravilhosa obra de ficção de H.G.Wells.

Muito mais que uma biografia, Love Is Understanding é um resumo gostoso e fiel de um tempo que não volta mais. Imperdível!!!

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