Mimo comemorou 15 anos com Fórum de Ideias disputado pelo público

Normalmente, quem sai de casa para participar de um festival de música quer saber de show. O público do MIMO é diferente. Na edição de Olinda, que celebrou 15 anos do evento criado pela produtora Lu Araújo, o Fórum de Ideias transbordou de gente durante os três dias. De sexta (23/11) a domingo (25/11), artistas reservaram um pouco do seu tempo para ofertar suas experiências à plateia super interessada. Eu fiquei responsável pela apresentação e pela mediação das palestras, papos e debates. Cada um funcionou de uma maneira e todos foram muito especiais.

Na sexta, os trabalhos foram abertos por Tom Zé, que depois de minha apresentação ficou sozinho no palco para sua palestra. Em “Tom Zé 8.0”, ele dissertou sobre sua trajetória desde sua infância em Irará (Bahia) até os dias atuais, passando pelos tempos da Tropicália. O baiano radicado em São Paulo acabou sentindo falta da mediação (como constatou Julio Maria em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo), mas o improviso divertiu muito os presentes.

Sábado, foi a vez de Emicida compartilhar sua experiência como rapper, cantor e dono da produtora Laboratório Fantasma em “Empreendedorismo, arte e criatividade em 10 anos de triunfo”. Generoso, ele permitiu que eu entrasse em sua história com questões sobre seus anseios e visões de mundo. No final, as perguntas mostraram como o público é engajado e quanta emoção a fala do paulistano causou em quem estava lá.

O domingo foi de duas feras, uma da música e a outra, do cinema. De manhã, Egberto Gismonti contou sua história e destilou referências literárias em “Caleidoscópio sonoro”. O papo foi de alto nível, com direito à referência a Mario de Andrade e a dicas de como se construir uma carreira sem interferências exteriores equivocadas. Para a plateia, foi uma verdadeira aula. E, depois das perguntas, muitos ficaram para conversar mais com o compositor e multiinstrumentista.

De tarde, o cineasta inglês Phil Cox, em “Meu olhar sobre Betty Davis”,  trouxe os bastidores do filme que narra a ascensão e o desaparecimento de uma cantora que revolucionou o funk norte-americano. Ex-mulher de Miles Davis, Betty foi “Madonna antes de Madonna e Prince antes de Prince”, segundo o músico. Phil conseguiu, depois de dois anos tentando, fazer um dos documentários mais sensíveis a que assisti na vida. O filme “Betty: They say I’m different”, exibido na Mostra MIMO de Cinema, e nosso papo giraram em torno do papel da mulher no funk americano e brasileiro – pois ele pediu que eu levasse referências nossos para o Fórum de Ideias -, a difícil tarefa de levar uma carreira musical adiante e as dificuldades de se filmar uma personagem tão particular.

Além do Fórum de Ideias e da Mostra MIMO de Cinema, o festival contou com a tradicional Etapa Educativa e com shows magníficos nas Igrejas da Sé e do Carmo e no palco principal, montado na Praça do Carmo. Hermeto Pascoal & Grupo, Egberto Gismonti Quarteto, Grazi Wirti & Leandro Braga, além do novato Bruno Sanches, dominaram os espaços sagrados. Na praça, estiveram as bandas Deab Combo (Portugal), 47 Soul (Palestina), DJ Montano, Tom Zé, Emicida, Lia de Itamaracá e Eddie.

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Crédito das fotos: Rogério Von Kruger (Tom Zé, Emicida, Egberto Gismonti e Phil Cox) e Marcos Hermes (Egberto Gismonti)

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