Lançada a campanha de crowdfunding do ‘Discobiografia Mutante’


De hoje (04/04) até 03 de junho, você está convidado a participar da história do Discobiografia Mutante: Álbuns que revolucionaram a música brasileira, um livro que vai celebrar o legado discográfico deixado pelos Mutantes no ano em que o o primeiro álbum da banda completa 50 anos (Os Mutantes). Escrito por mim, o livro conta a história dos discos produzidos por Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee e tantos outros nomes que estiveram junto ao trio, dando ênfase às capas, que trazem histórias curiosíssimas e pouco divulgadas. Só que, para tê-lo em mãos, você precisa aderir à campanha de financiamento coletivo que estou lançando através do Catarse. Por ser uma forma alternativa de se lançar livro, o crowdfunding, eu acredito ser uma escolha coerente com o espírito da banda e da pesquisa que venho fazendo desde 2002. Os Mutantes sempre preferiram construir o próprio caminho e eu quero, pela primeira vez, experimentar essa liberdade – depois de lançar o Discobiografia Legionária através de uma editora – para criar e para chegar mais perto de seus leitores. O livro é, sem dúvida, mais um registro para a memória da música brasileira.

O ano de 1968 foi diferente para Rita Lee, Arnaldo Dias Baptista e Sérgio Dias Baptista, que gravaram seu primeiro disco como Os Mutantes para nunca mais serem esquecidos. A banda causou polêmica, inovou a música popular brasileira ao introduzir seus instrumentos elétricos nos festivais da canção, eventos musicais com apelo similar ao de uma final de campeonato de futebol. Enquanto Gilberto Gil e Caetano Veloso tentavam driblar a censura e o risco de serem presos a qualquer momento – e acabaram sendo – os meninos ainda curtiam uma juventude que, pode-se dizer, fazia sua transição de transviada para contracultural. As capas dos discos dos Mutantes podem render especulações, debates e, como Rita mesmo brinca, “até tese de doutorado”. Porém, o resultado das pesquisas mostra que, muitas vezes, o trio abusava tanto de brincadeiras e de deboches que as capas eram simples resumos do que eles eram de verdade. A ironia é evidente na maioria delas. Em A Divina Comédia ou Ando meio Desligado, por exemplo, Rita, Arnaldo e Sérgio quiseram enfrentar os mais conservadores através de uma foto dos três na mesma cama.

Com essa irreverência, como publicou o jornal The New York Times, a banda conquistou até artistas estrangeiros, de David Byrne e Kurt Cobain a Devendra Banhart e Nelly Furtado. O líder do Nirvana chegou a escrever uma carta para Arnaldo Baptista e declarou em uma entrevista: “Sei que eles foram muito revolucionários, que criaram seus próprios efeitos. E provocaram muita polêmica, tinham coragem para fazer o que faziam durante o regime militar”. Filho de John Lennon e músico, Sean Lennon, que convidou Arnaldo a tocar com ele em uma das edições do festival Rock in Rio, vive exaltando a produção dos Mutantes: “Eu não sabia que existia uma banda como Os Mutantes no mundo. Foi uma das melhores gravações que ouvi na vida. Parecia que eles notaram a psicodelia britânica, mas tinham uma sonoridade completamente particular. Mas, ainda assim, psicodélica. Os arranjos de metal são mais particulares nos Mutantes do que numa gravação dos Beatles ou dos Stones. São orquestrados”.

Discobiografia Mutante pretende mostrar como Arnaldo, Sérgio e Rita se divertiam tocando e produzindo, afinal, grande parte das sugestões, das ideias e das inovações eram fruto da criatividade dos integrantes do grupo. Se alcançarmos a meta, o livro será bilíngue para que possa ser lido também pelos fãs estrangeiros dos Mutantes.

“Os Mutantes são demais”, publicou um jornal como título de uma matéria, na época. E os fãs já previam que a banda nunca deixaria de ser atual. O tempo passa, outros movimentos musicais vão e voltam, e os Mutantes nunca deixam de ser os Mutantes. Este livro é uma forma de preservar a história dessa banda tão querida e transgressora. Ajude-nos a torná-lo realidade!

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