Um resumão do Rock in Rio (e do que gostei no festival)

Posted by Chris Fuscaldo Category: Shows e eventos Tag:

Sepultura e Família Lima no Palco Sunset do Rock in Rio / Foto I Hate Flash

Vi muitos metaleiros e fãs do hard rock reclamando do fato de o Rock in Rio este ano não ter dedicado uma noite somente ao estilo. E, de fato, faltou só isso mesmo. No entanto, para quem não está acostumado a sair de casa para ver um show mais pesado, foi ótimo poder conhecer Alice Cooper, Sepultura e outros do ramo. O primeiro apresentou na quinta-feira (21/09), um espetáculo teatral, com direito a números de mágica, um convite ao britânico Arthur Brown e uma banda muito boa (leia mais). O outro encerrou a programação do Palco Sunset, no domingo (24/09), com um grande show junto à Família Lima, que com seus violinos de violoncelos acompanhou a turma de Andreas Kisser e Derrick Green com primor. O preparo para os shows que viriam a seguir no Palco Mundo não podia ter sido melhor: a energia da galera ficou em alta.

O que não foi muito legal nesta edição foi ter que driblar o desnível do chão da nova Cidade do Rock para conseguir assistir às atrações com alguma dignidade. E, nos shows headliners (os últimos das noites), enfrentar a claustrofobia para conseguir ficar em algum lugar em paz. Se eu pudesse dar duas sugestões para 2019 à organização, seriam elas: alinhar o piso ou levantar o palco para deixá-lo mais alto e, dessa forma, permitir que os que ficam mais para trás possam vê-lo; diminuir a quantidade de ingressos vendidos ou tirar as lojas das laterais do Palco Mundo para abrir mais espaço para as pessoas se alocarem melhor.

Steven Tyler e Joe Perry, do Aerosmith, no Rock in Rio / Foto I Hate Flash

Na quinta-feira, Aerosmith foi a banda que deu conta de dar manutenção à animação do público que migrou do Sunset para o Mundo. Scalene, Tyler Bryant & The Shakedown e The Kills não levantaram tanto a energia quanto Steven Tyler, Joe Perry, Tom Hamilton, Joey Kramer e Brad Whitford e seus hits. Lamento o fato de, menos de uma semana depois, os shows de Curitiba e de outros países da América Latina terem sido cancelados devido a um problema de saúde de Tyler. Além dos presentes na primeira noite do fim de semana de rock do Rock in Rio, quem se deu bem com a passagem do vocalista pelo Rio foi um carioca de 18 anos que estava com seu violoncelo no Leblon quando se viu acompanhado pela voz dele: Abner Tofanelli tocava Thinking Out Loud, de Ed Sheeran.

Ney e Jorge Du Peixe / Foto I Hate Flash

Bon Jovi no Rock in Rio / Foto I Hate Flash

 

 

 

 

 

 

 

Para mim, o melhor dia no Palco Sunset seria, sem dúvida, a sexta-feira (22/09). Não só porque O Grande Encontro de Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo faria um lindo show com a Banda de Pífanos do Estado e o Grupo Grial de Dança, mas também porque haveria Baiana System com Titica, Sinara com Mateus Aleluia e o grande Ney Matogrosso acompanhado da Nação Zumbi. E foi tudo lindo até que… Ney Matogrosso perdeu o tom já em Mulher Barriguda e oscilou durante todo o show. Jorge Du Peixe acabou também se perdendo nas músicas do próprio repertório da Nação Zumbi, entre elas Maracatu Atômico. A desarmonia entre as vozes foi visível e acabou estragando a apresentação. Não foi bom assistir àquilo… O que salvou a noite foi a migração para o Palco Mundo, onde o Jota Quest fez uma ótima participação no festival, o Alter Bridge (desconhecido para mim) tocou direitinho, o Tears For Fears arrasou relembrando grandes sucessos dos anos 1980 e o Bon Jovi fez, mais uma vez, um showzaço.

The Who no Rock in Rio / Foto I Hate Flash

O dia 23 de setembro de 2017, sem dúvida, vai entrar para minha história. E o Rock in Rio, que já é parte dela desde 2001, quando comecei a frequentar o festival, mais do que nunca. O show do The Who era algo que eu nunca esperava conseguir ver. Sabe aquele sonho que parece muito distante? Esse era um deles.

Pete Towshend e Roger Daltrey, do The Who, no Rock in Rio / Foto I Hate Flash

Sou fã dos caras desde a adolescência e já tinha até me dado por satisfeita quando, nos anos 1990, consegui assistir duas vezes (uma em Nova York e uma no Rio de Janeiro) ao musical Tommy, baseado no filme de 1975, que foi baseado na ópera rock com canções do guitarrista Pete Towshend reunidas no álbum homônimo de 1969. E não é que Towshend, o vocalista Roger Daltrey e a banda de apoio que substituiu os originais Keith Moon e John Entwistle (formada pelo guitarrista Simon Towshend, o baixista John Button e o graaaaande baterista Zak Starkey) levaram Pinball WizardSee Me Feel Me, do repertório de Tommy, ao palco? Foi uma emoção enorme assistir à apresentação dessas canções, bem como às de Behind Blue Eyes, My Generation e Who Are You and Won’t Get Fooled Again.

Axl Rose e Slash, do Guns N’Roses, no Rock in Rio / Foto I Hate Flash

Depois desse show do The Who, até o Guns N’Roses, que sempre amei ver de perto, perdeu a graça. Também pudera… Axl Rose, Slash e companhia subiram ao palco uma da manhã e tocaram por três horas, deixando os presentes exaustos. Começando com músicas menos bombásticas de sua carreira e parando diversas vezes para Slash demonstrar seus belos (mas cansativos) solos de guitarra, o grupo deu uma canseira na plateia. O vocalista também não mostrou sua melhor forma no palco, mas sobre isso eu não quero falar. É que envelhecer já não é fácil. Envelhecer sendo cobrado deve ser mais difícil ainda. O corpo e a voz, infelizmente, não respondem às demandas da cabeça, ainda mais quando os anos vão passando.

Anthony Kiedis e Flea, do Red Hot Chili Peppers, no Rock in Rio / Foto I Hate Flash

Domingo (24/09) foi o dia do Red Hot Chili Peppers no Palco Mundo. O Sunset foi mais pesado neste encerramento da edição 2017 do Rock in Rio e o Sepultura tratou de fechar bem a programação. No palco principal, Capital InicialThirty Seconds to Mars fizeram tudo direitinho, mas foi o The Offspring que mais surpreendeu com sua energia. Banda mais esperada da noite, o Red Hot fez um show meio protocolar, curto: foram 16 músicas em pouco mais de uma hora e meia de palco. No entanto, a galera estava vidrada em cada movimento do baixista Flea e do vocalista Anthony Kiedis. A sintonia dos fãs com os músicos fez valer a espera pela volta das pimentas vermelhas aos palcos do festival. Os caras devem ter saído felizes com a resposta do público.

 

 

 

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