Música de protesto da banda ‘meio virtual’ Vítimas do Acaso retrata o caos que o Brasil está vivendo

Faz tempo que o Brasil está problemático. Mas faz menos tempo que o país entrou em um caos que beira um colapso e que tem deixado sua população em estado de alerta constante. Principalmente quem mora em cidades como Vitória, no Espírito Santo, e Rio de Janeiro, está sofrendo com uma insegurança tremenda causada pelas péssimas (algumas até criminosas) administrações dos últimos governantes. Na manhã desta sexta-feira (10/02), em que o Rio acordou sem saber se tinha policiamento nas ruas ou se o quadro seria o mesmo da capital capixaba, ouvir Mar de Lixo, música da banda meio real meio virtual Vítimas do Acaso lançada na última sexta-feira (03/02) pela ONErpm nas plataformas digitais, e assistir ao seu lyric video, lançado pela Billboard no dia anterior, nos mostra que até as artes estão contaminadas pelo desejo de se manifestar para mudar tudo isso que estamos vivendo. A composição foi feita nos anos 1990, mas parece que é de ontem.

 

 

Sobre a Vítimas do Acaso

Morando durante mais de 8 anos em Londres, o produtor musical brasileiro Ricardo Gomes pôde experimentar muito do que a cidade tem a oferecer para músicos e amantes da música. Primeiro, como guitarrista, gravou para artistas internacionais, tais como a cantora libanesa Abeer Nehme e a popstar russa Valeriya, e frequentou diversos cursos de música na capital britânica. Até que, em 2010, buscando expandir sua carreira, concluiu um mestrado em Produção de Áudio, na renomada University of Westminster, para dar início a sua carreira de produtor musical. “O período em Londres foi fundamental para a minha formação como produtor. Além das aulas, a convivência com outros músicos e produtores abriram meus olhos para a amplitude criativa do papel do produtor na busca da sonoridade certa para cada trabalho e no uso da tecnologia como ferramenta primordial nesse processo”, afirma Ricardo.

De volta ao Brasil, ele focou no trabalho com Rodrigo El-Hayck, com quem teve sua primeira banda na adolescência: “Eu buscava um artista que me permitisse usar bastante recursos tecnológicos, desde instrumentos virtuais até as mais variadas técnicas de produção. Eu sempre soube do talento do Rodrigo, mas, depois de tantos anos, não sabia se ele gostaria de voltar ao estúdio” conta o produtor. Para Rodrigo El-Hayck, a vontade de continuar fazendo música estava mais viva do que nunca: “No início, só não estava 100% seguro com o meu vocal, afinal não cantava há muitos anos. Mas o Ricardo quis que eu cantasse e, com o apoio dele e do preparador vocal Roberto Montezuma, chegamos a um resultado que eu jamais imaginaria”, explica o cantor. O projeto conta também com a participação do baixista da formação original Leonardo Manssur.

Ricardo Gomes (esq.) e Rodrigo El- Hayck / Foto: Erika Tambke

Ricardo Gomes (esq.) e Rodrigo El- Hayck / Foto: Erika Tambke

A banda conserva o mesmo nome, Vítimas do Acaso. E a música escolhida para o primeiro trabalho é Mar de Lixo. “Eu comecei a escrever essa música em 1992, você imagina que ela ainda está atual?! O Ricardo sugeriu que a retomássemos e, depois de algumas sessões de composição juntos, chegamos à versão que decidimos gravar”, afirma Rodrigo. ”Na adolescência, ouvíamos muito as bandas dos anos 80 e sempre senti falta das músicas com uma abordagem mais crítica como ‘Que País é Esse?’ da Legião ou ‘Brasil’ do Cazuza. Acho que muita gente sente falta da música feita nessa época. Por isso, resolvemos fazer”, conta El-Hayck.

A gravação foi inteiramente feita na RGX, produtora que Ricardo mantém na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro: “Hoje em dia, a tecnologia permite muita coisa. Os softwares de produção musical atuais podem simular vários tipos de instrumentos, equipamentos e efeitos, com um resultado muito próximo ao real. Nós somos uma banda 100% virtual! Tudo desenvolvido no estúdio com o auxílio da tecnologia. Usei uma bateria virtual e também simulador de amplificador em uma das guitarras e no baixo. Sempre buscando uma sonoridade de banda de rock atual, com timbres e técnicas de produção bem contemporâneos”, explica o produtor. O projeto não deve se encerrar com essa música: “Já estamos trabalhando na próxima que vai manter o conteúdo crítico. Só que dessa vez, vamos fazer algo com mais groove. Já que resolvi voltar, agora, quero fazer mais!”, afirma Rodrigo.

 

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