Na busca por uma festa paraense, o encontro de corpo inteiro com Priscila, a rainha do tecnobrega

Saímos do hotel com o objetivo claro de nos divertir em uma festa de tecnobrega. É sábado e estamos em Belém, pôxa! Perguntamos pela cidade inteira e a única indicação foi de um evento em um hotel. Chegamos lá e, na verdade, era num barco, o mesmo que vimos passar no rio horas antes, enquanto comíamos nosso pato no tucupi. Tínhamos perdido a partida, mas ficamos no pequeno cais esperando a chegada.

O barco encostou e, procurando alguém para perguntar se podíamos entrar, quando vimos, já estávamos lá dentro. Corri para perto da banda: uma mesa enorme com botões para muitas programações, bateria, guitarra e uma cantora linda… E gostosa pra caramba. Ao ver aquela dupla formada por dois branquelos, sendo eu meio que vestida pra um show de rock, Priscila (depois descobri seu nome) saiu do palco e me tirou pra dançar. Ou melhor, pra me ensinar a dançar.

Segurando minha mão, fez passinhos para eu imitar, rebolou para eu imitar e passou a mão pelo corpo para eu imitar. Fui fazendo tudo o que ela mandava. Priscila virou minha dominatrix da dança, ou melhor, do tecnobrega. E naquela troca / espaço de reconhecimento, se de um lado ela achava que estava fazendo uma boa ação para uma gringa, do outro eu pensava se deveria revelar que ela acabara de virar um objeto de estudo antropológico, literário e musical para mim. Deixei rolar e segui trocando com Priscila, a rainha do tecnobrega.

Priscila, em BelémQuando a música terminou, fiz que queria uma foto. Ela foi enfática com o fotógrafo, gesticulando para fazer o gringo entender: “Pegue o corpo inteiro!” Eu poderia me sentir humilhada nesse momento, mas achei melhor admirar aquele mulherão e até tirar uma casquinha, deixando os homens (e algumas mulheres) do barco morrendo de inveja. Ao abraçá-la e partir para um beijinho na bochecha, ela articulou a boca toda e gesticulou, tudo para fazer a gringa entender: “Aqui são dois beijos!” E, então, eu entreguei o ouro: “Ah é? No Rio, também! Obrigada por tudo! Você é linda e me ensinou muito hoje!”

Talvez até mais feliz do que antes, afinal, ela poderia a partir dali se sentir menos exótica e mais brasileira, Priscila me abraçou e agradeceu. Ao apertar a mão do guitarrista da Sample 2 (descobri o nome da banda nesse momento) e agradecer pela música, pedi desculpas por termos chegado só no final. “Mas vocês fizeram a diferença”, disse ele, acredito, impressionado com a química que rolou entre eu e sua vocalista.

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