Do Rio para Berlim, engrossando o coro LGBT

Posted by Chris Fuscaldo Category: Trabalhos Tag: , ,

Minha segunda coluna olímpica para o jornal alemão Taz saiu hoje! Não sei se a tradução é exata, porque o espaço muda de acordo com o tamanho das palavras e o espaço reservado para elas. Mas a ideia é essa aí:

Engrossando o coro LGBT

Em meados de junho, um dos programas de maior audiência da TV brasileira transmitiu uma matéria sobre os crimes motivados pela homofobia, mostrando que os números no Brasil são alarmantes: a cada 28 horas, um homossexual morre de forma violenta; em 2015, o órgão que recebe denúncias de agressões contra qualquer integrante do grupo LGBT recebeu quase 2 mil ligações; desde o início de 2016, 132 pessoas foram mortas. Semanas antes de os Jogos Olímpicos começarem, nossa imprensa noticiou uma sequência de mortes e/ou espancamentos tão terríveis quanto retrógrados para os dias de hoje. Em uma análise curta e simplificada, ouso dizer que tais acontecimentos refletem o perfil de uma sociedade ainda cheia de mazelas: o Brasil é um país homofóbico e hipócrita, cuja legislação até hoje não considera crime esse tipo de preconceito.

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A adoção de políticas públicas voltadas à proteção da comunidade gay é uma luta que ainda não foi vencida por ONGs, grupos nem políticos de esquerda. Está na Câmara dos Deputados desde 2014 um projeto da deputada Maria do Rosário que inclui a homofobia como crime de ódio, porém a bancada evangélica vem se colocando em posição contrária à aprovação da Lei, alegando que seus deputados não conseguem entender a diferença entre “preconceito” e “liberdade de expressão”. Defensores da criminalização da LGBTfobia dizem que o que não se pode é abafar os casos. Com as vozes homossexuais gritando alto e com a modernização do país proposta pelos ideais da Rio 2016, há uma expectativa de que essa realidade mude. E parece que já está mudando… Desde que três mulheres transexuais, inclusive a modelo internacional Lea T, participaram da cerimônia de abertura da Olimpíada, aumentaram as atenções para as pequenas, médias e grandes manifestações LGBT… Com um necessário empurrãozinho da mídia.

Ganhou muito compartilhamento nas redes sociais a notícia de que a jogadora da seleção brasileira de rugby Isadora Cerullo, a Izzy, foi pedida em casamento por sua namorada, a gerente de serviços Marjorie Enya, logo após a cerimônia que coroou a Austrália como primeira campeã olímpica da modalidade. Também figurou entre as matérias mais lidas de um dos principais veículos de comunicação do Brasil a história de Rafaela Silva e Thamara Cezar, sua companheira e a mulher que cuida de tudo para que a nova campeã olímpica do judô brasileiro não precise se preocupar com nada além de apenas lutar e vencer. Falei que acho o Brasil hipócrita ali em cima porque tenho certeza de que um atleta midiático (ainda mais se for um vencedor) não está entre as possíveis vítimas desse tipo de violência de que estamos tratando aqui. Mas quem não tem as mesmas proteções precisa reforçar essa luta. Quando a fala é repetida, mais e mais pessoas vão ouvir a voz. Todos juntos engrossando o coro, ficará mais fácil atingir o objetivo final, que é acabar com a intolerância!

Taz coluna 2

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