Aos 101, Orita consegue avaliar e reavaliar o que pensa: ‘Você acha certo isso de homem casar com homem?’

Ela diz que somos iguais, mas eu acho que ainda preciso comer muito feijão para chegar aos 101 com esse humor e com essa capacidade de não se aborrecer com nada!

Com sua inteligência localizada no tempo e espaço específico de uma mulher nascida em 1915, minha avó Orita hoje me atualizou das suas últimas travessuras (“Minha filha, tomei um tombo e me esborrachei toda no chão”), cobrou-me por eu ter escondido dela uns perrengues que passei recentemente (“Ah, não, mas pra mim tem que contar! Eu poderia te ajudar!”) e, como sempre, implorou para eu ficar lá com ela (“Você vai dormir sozinha? Ah, fica aqui! Ficar sozinha é muito ruim!”).

Falou, como sempre, coisas engraçadíssimas que, neste ano feito só de polêmica, acho melhor não contar (e morreu de rir quando eu disse que ela podia ter que ficar de tornozeleira eletrônica por ser cúmplice de falácias da família). Como eu já disse, as falas estão todas perfeitamente encaixadas num tempo e espaço específico, mas nem todos podem entender… Fato que, aos 101, ela é a pessoa que conheço que mais consegue avaliar e reavaliar o que pensa. Só para dar uma palhinha:

“Minha filha, você acha certo isso de homem casar com homem?”

“Vó, eu acho certo as pessoas serem felizes. Todas elas. Eu acharia horrível descobrir que meu pai gosta mesmo é de homem, mas está casado com minha mãe porque você não aceitaria essa condição dele.”

“Ah, mas se fosse meu filho, é claro que eu ia aceitar!”

“Você já não aceitou algum outro casal?”

“Não! Pensei nisso agora porque toda hora o pessoal aí está falando nisso…”

“Vó, não ouve o que esse povo fala, não! Vá pelo seu coração, que é muito mais coerente com a pessoa que você é! Senão você pode acabar de tornozeleira eletrônica!”

“Hahahahahaha!”

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