Dinho troca ‘cara’ por ‘velho’ e cai no rock com o Capital Inicial

Tem sido árduo o exercício que Dinho Ouro Preto anda fazendo para diminuir a quantidade de vezes que fala “cara” durante as entrevistas e os shows que faz com o Capital Inicial. No sábado, no Citibank Hal, durante a turnê do novo disco, Viva a Revolução, ele quase conseguiu não falar a interjeição que é a sua cara, mas acabou deslizando algumas (poucas, vamos ser justos) vezes. Agora, ele fala “velho”, outra interjeição também muito usada no Brasil (não tanto no Rio de Janeiro).

“Rio de Janeiro, sejam todos bem-vindos! É uma honra estar pisando neste palco. O Rio se transformou na cidade do Brasil onde mais tocamos. É o quinto show em menos de um ano, velho”, exclamou o vocalista logo após a primeira sequência de músicas.

O show de 2h15 (isso mesmo!) parecia interminável, mas os fãs se deliciaram com cada surpresa preparada pela banda. Dinho Ouro Preto (vocal, violão e guitarra), Fê Lemos (bateria, percussão e vocais), Flávio Lemos (baixo) e Yves Passarel (guitarra, violão e vocais) – acompanhados por Fabiano Carelli (guitarra, violão e vocais) e Robledo Silva (teclados, violão e vocais) – começaram o show com Respirar VocêQuatro Vezes Você (com direito a solinho de bateria) e Independência, essa última com forte coro da plateia, mostrando que os clássicos do Capital Inicial ainda são a coisa mais forte que a banda tem.

Justiça seja feita, a plateia estava dividida entre membros da “garotada” e integrantes da “jovem guarda oitentista”. Enquanto os mais velhos entoavam os clássicos, mas se perdiam nos hits mais recentes, os novinhos cantavam TUDO! Sendo assim, é claro que sucessos como Música Urbana ganharam mais peso no palco carioca. Dos tempos de Brasília e do Aborto Elétrico – banda de Fê Lemos, Flávio Lemos e Renato Russo que foi o embrião do Capital Inicial e da Legião Urbana – eles apresentaram Veraneio Vascaína, Geração Coca-Cola e Fátima.

“Acho impressionante! Os anos passam e as músicas não ficam datadas. Essa próxima foi gravada nos anos 80 e ninguém imaginava que o Brasil continuaria tão desigual. Fechem os olhos e pensem no político que mais odeiam”, pediu Dinho antes de começar Que País É Esse.

“Ei, Sarney, vai tomar no…”, gritaram os fãs.

“Ele é um deles. Ocupa a letra S da minha lista”, respondeu o vocalista.

Para fazer a transição entre o velho e o novo repertório, a banda puxou um hit do “punk rock de Brasília”, da banda Raimundos: Mulher de FasesNatasha, a pouco tocada Olhos Vermelhos, À Sua ManeiraComo se SenteO Bem, o Mal e O IndiferenteVivendo e Aprendendo (dedicada ao ex Governador Sérgio Cabral), Depois da Meia NoiteAlgum Dia também permearam o roteiro do show, assim como as novíssimas Tarde DemaisMelhor do Que Ontem e Viva a Revolução

O bis foi um show à parte. Longo, mas verdadeiro (a banda improvisou bastante, mostrando o que é um verdadeiro bis), esse segundo ato contagiou, com eles tocando até uma versão acústica de Otherside, do Red Hot Chilli Peppers. “Querem mais? Vamos ali do lado combinar o que a gente vai tocar e já voltamos”, avisou Dinho. O Lado Escuro da Lua ganhou só teclado e voz. Dinho assumiu o violão para tocar o hit Não Olhe Pra Trás e, com Fê na pandeirola, Belos e Malditos, música da primeira fase do Capital Inicial. Com todos no palco, o Capital Inicial puxou Como Devia Estar e o sucesso Primeiros Erros.

“2h15 de rock na cabeça!”, gritou Dinho, no final, enquanto fazia pose com a banda para a foto (acima) do Facebook.

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