Erasmo Carlos com Filhos da Judith no palco: são muitas emoções

Filhos de Judith com Erasmo CarlosSair de casa para assistir a Filhos da Judith e Erasmo Carlos na mesma noite causa em mim uma sensação de orgasmo duplo. “Orgasmo”? Bom, é essa palavra que o Tremendão colocou no lugar do substantivo masculino “prazer” desde que lançou o disco “Sexo”. Foi com esse termo que ele cumprimentou a plateia no início do show de lançamento do álbum, no dia 23/03/2012, no Circo Voador (RJ). “É um orgasmo inenarrável estar gozando aqui com tanta gente tão bonita”, brincou Erasmo. No show de abertura, os Filhos da Judith foram mais discretos, tocando poucas canções do CD que lançaram e agradecendo com poucas palavras o carinho da plateia e a oportunidade de estarem tocando em palco tão cultuado entre os rockstars. Sexual ou não, aqueles dois shows mexeram com meus sentimentos, tanto os primitivos quanto os mais recentes. Revivi tais emoções no sábado, ao assistir no Bar do Meio, em Niterói, ao show de Erasmo Carlos, que tem os integrantes da Filhos da Judith o acompanhando desde que lançou o CD “Rock’n’Roll”.

Vamos começar de novo. Do início. Esse texto deveria estar publicado aqui em forma de entrevista e os únicos personagens seriam Pedro Dias, Luiz Lopez e Alan Fontenele, respectivamente baixista, guitarrista e baterista da banda carioca. Eu e uma antiga parceira passamos a semana inteira articulando um encontro com esses meninos que, há seis anos, vi se jogarem no mundo da música. Íamos fazer a matéria para um site para o qual eu colaborava na época. Estamos ainda em 2012, gente. Marcado para quarta-feira desde segunda, o compromisso foi desmarcado em cima da hora de sairmos rumo ao estúdio onde estariam ensaiando. Empresário pede para ligarmos no meio da tarde de quinta-feira. Eu insisto para fazermos ao vivo, na sexta, antes do show. Diz ele que a assessoria de imprensa da gravadora acha melhor não. Desistimos, então, com aquela sensação de abandono que alguns jornalistas independentes têm de vez m quando. Prometi à editora: “Se o show for bom, eu faço uma nota.”

Confesso que, depois que desconectei e me arrumei para sair, já estava decidida a escrever só sobre Erasmo Carlos para o GarotaFM, afinal, como filha de um fanático pela Jovem Guarda, eu não poderia trair o amigo de fé e irmão camarada do Rei Roberto Carlos. Mas, chegando lá já meio atrasada por causa do trânsito insuportável do Rio de Janeiro e da chuva que caiu forte no Centro da cidade, deparei-me com eles: os Filhos da Judith, no palco, arrasando com aquele charme que conheci outrora, em palcos nunca dantes explorados por eles. Calma, dona Carol Lima, o charme de que falo é puramente musical. É aquele que uma jornalista de música é capaz de captar sem se apaixonar (acredite, amigo leitor, jornalistas de música não se apaixonam por seus personagens).

Pausa para uma observação: Para quem não sabe, Carol é vocalista da banda Fuzzcas e namorada de Pedro Dias, vocalista da banda.

Mas, enfim, voltando ao que interessava quando comecei a escrever sobre o que mexe comigo… Conheci os Filhos da Judith em 2006, em um festival, ou melhor, em uma seletiva na qual diversas bandas novas (e a maioria delas desconhecidas) disputavam o palco do festival Mada, que acontece anualmente em Natal, no Rio Grande do Norte. Fui convidada pela turma da Laboratório Pop, a revista/site/produtora/etc/responsável pelo evento, a fazer parte do corpo de jurados junto a outros críticos de música. Minha memória não me ajuda muito a lembrar quantas bandas se apresentaram naquela noite, no palco do Teatro Odisseia, na Lapa, e quais eram elas. Ou talvez eu nem queira resgatar essas lembranças. O que me vem sempre à cabeça é a imagem desses meninos se mexendo e mandando ver num verdadeiro rock’n’roll. Beatles? Sim, tudo a ver. Mas eles traziam referências misturadas à própria (e forte) personalidade. Bingo! Selecionei e votei neles!

Na época, eles agradeceram muitíssimo, enviaram seu CD demo para o jornal Extra, onde eu trabalhava como colunista de música, e mandaram e-mail. Desde então, sempre que encontro os irmãos (Pedro sempre eufórico e Luiz mais tímido), lembramos disso. Mas, acreditem se quiser, também desde então, nunca havia tido a oportunidade de assistir a um show dos Filhos da Judith nem tampouco de entrevistá-los. E, apesar de toda a preparação para me livrar desse karma na semana do show no Circo Voador, também não foi daquela vez. Tive meu encontro desmarcado em cima da hora e, do show, vi apenas a parte final, já que a chuva não me ajudou em meu caminho atravancado por todos os motoristas do estado (parece que todos resolvem sempre sair de carro na sexta-feira).

Sobre Erasmo… Bom, Erasmo é um ídolo do meu pai e, por consequência e/ou por influência mesmo, meu também. Já entrevistei o Tremendão, que eu me lembre, para a extinta Revista da MTV, para o jornal Extra e para o Globo Online, que depois virou o site d’O Globo e também ganhou mais matérias com o Tremendão. Lembro que, quando colaboradora da MTV, fui convidada por uma das editoras a acompanhá-la e ao seu repórter porque eu “sacava” muito sobre a vida e a obra de Erasmo. É, de fato. Mas aprendi muito mais me emocionando com cada capítulo do livro “Minha Fama de Mau”, que lançou em 2009. Sobre o show no Circo Voador, caro leitor, saiba mais acessando o GarotaFM e me deixe terminar o texto cumprindo a promessa de que esse seria dedicado aos jovens e possíveis futuros ídolos.

Sobre sábado, no Bar do Meio, acho que seria redundante se resolvesse escrever novamente sobre as mesmas emoções. E, bom, para quem ficou curioso, ainda não entrevistei os Filhos da Judith.

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