‘Somos Tão Jovens’ é interessante, mas falta a Legião Urbana

Somos tão Jovens - cartaz do filme sobre Renato RussoPara os desavisados, a primeira e mais importante informação sobre “Somos Tão Jovens” é que esse não é um filme sobre a Legião Urbana. Algumas matérias já haviam feito esse anúncio. O próprio cartaz do longa-metragem que entra em cartaz nesta sexta-feira (03/05) mostra que a história contada é a de Renato Russo, tendo inclusive uma frase que vai mais além, explicando que o que vai ser apresentado é a formação do mito: “Você conhece o mito. Agora conheça a história”. Mas, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, a produção deixa uma sensação de vazio quando acaba.

A história da formação do mito está lá. Sim, formação no sentido mais literal: Renato Manfredini Jr. fica doente e, durante o resguardo, lê e ouve rock sem parar; depois, ouve e dissemina entre os amigos o punk rock apresentado por um professor, colega do curso onde dá aula; em seguida, assume a alcunha de Renato Russo, experimenta ser o líder da banda Aborto Elétrico e tenta ser feliz tocando sozinho como Trovador Solitário. Pronto, a formação é isso aí. Nesse ponto, não há do que reclamar.

Mas, convenhamos, a história de como ele se tornou mito está incompleta. Afinal, o mito surgiu quando o Brasil conheceu as músicas que compôs sozinho ou com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, mas que foram apresentadas pela Legião Urbana. Também reforçaram o substantivo os acontecimentos de sua vida até sua morte, em 1996.

Acalmem-se, pois o final do filme não está aqui. Continuando…

Renato Russo com Fê e Flávio Lemos e outros músicos da turmaEm relação ao trecho escolhido para ser apresentado na telona, é interessante confirmar o que já foi falado: esse é um filme de turma. Os personagens mais importantes são os amigos de Renato, interpretado muito bem por Thiago Mendonça. Parecido fisicamente com o biografado, o ator que interpretou Luciano no longa “2 Filhos de Francisco” conseguiu aprender os trejeitos do músico e seu timbre vocal tanto na fala quanto no canto. Vivida por Laila Zaid, Aninha é a coadjuvante mais importante: a melhor amiga de Renato está o tempo todo ao lado dele, ajudando-o até mesmo a entender sua opção sexual.

Os momentos vividos por Renato com Fê e Flávio Lemos (Bruno Torres e Daniel Passi) no Aborto Elétrico são alguns dos mais interessantes do longa, cujo roteiro é  Marcos Bernstein, com colaboração de Antonio Carlos Fontoura, Luiz Fernando Borges e Victor Atherino. O Dinho Ouro Preto de Ibsen Perucci é ótimo! Mas, pô, insisto em reclamar das poucas cenas reservadas para Dado e Bonfá, interpretados respectivamente por Nicolau Villa-Lobos, filho do guitarrista da Legião Urbana, e Conrado Godoy, amigo do filho do baterista da banda definitiva de Renato.

Thiago Mendonça e Laila Zaid são Renato Russo e Aninha em Somos tão JovensA narrativa é, por vezes, cansativa. Na tentativa de se mostrar como os jovens da época se comunicavam – talvez por erro da direção, talvez pelas frases escolhidas para o roteiro – alguns diálogos parecem se encaixar melhor em um palco de teatro. Acabam caindo nessa armadilha também os pais de Renato, Carminha e Dr. Renato, interpretados pelos ótimos atores, porém não tão bem aproveitados Sandra Corveloni e Marcos Breda. Palmas para Bianca Comparato, que dá vida a Carmem Teresa, a irmã do biografado.

Vale a pena conferir o filme, mas é importante ir sabendo que pouco é falado sobre a Legião Urbana. Não vale aqui dizer como o filme acaba, mas destacar cenas interessantes para se prestar atenção. São elas: quando Renato entra de penetra numa festa com os amigos e troca as fitas, colocando um punk rock pesado para apavorar os anfitriões; a cena em que Renato e Aninha se encontram mais intimamente; o comportamento de Renato no dia em que John Lennon morreu (aí são várias cenas ótimas); a briga do músico com Fê Lemos que resultou no fim do Aborto Elétrico. Fica o desejo de um novo filme, só que sobre a banda.

Confira o trailer:

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