Jorge Davidson: há 40 anos dando uma direção à música brasileira

Jorge DavidsonGarotaFM acaba de ganhar um novo colaborador, que vai contar histórias incríveis sobre suas experiências com artistas nacionais e internacionais da música. Jorge Davidson trabalha e convive há quase 40 anos com a cena musical e é ele quem vai abrir seu baú de memórias.

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Jorge Davidson não é um nome qualquer da cena musical. Sua história começou nos anos 70 como jornalista e produtor de rádio e televisão. Ainda muito jovem, chegou às gravadoras, onde se destacou como diretor artístico permanecendo por mais de 30 anos interruptamente como Executivo de ponta à frente da EMI, SONY e BMG. Jorge tem muito a contar sobre seus 40 anos de carreira, os mais de 100 milhões de cópias de discos vendidos que carregam sua assinatura e os incontáveis discos de Ouro, Platina e Diamante de artistas brasileiros que também têm seu nome associado.

Nascido em 28 de maio de 1950, na Bahia, Jorge Davidson Prisco Silva mudou-se ainda menino para o Rio de Janeiro. Estudou nos colégios Pedro II e André Maurois e cursou faculdade de Comunicação Social na PUC-RJ e na UFRJ. A música sempre esteve presente. O pai ouvia Frank Sinatra, Silvio Caldas, Sammy Davis Junior, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Angela Maria, Nelson Gonçalves e Dorival Caymmi e o primeiro disco que deu a Jorge, ainda nos anos 50, foi o 33rpm com o single “Oh! Carol”, de Neil Sedaka.

O gosto pelo rock surgiu nos anos 60 com bandas como Rolling Stones, Beatles, Cream, Yardbirds, Spencer Davis Group, Kinks, Animals, Dave Clark Five, The Who e Byrds, que dominavam a vitrola Telefunken. Mas as canções brasileiras de Tom Jobim e João Gilberto, seguidas da música de Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Wilson Simonal, Tim Maia, Jorge Ben, Raul Seixas, Elis Regina, Mutantes e Chico Buarque também chamaram atenção do estudante.

Jorge Davidson com Renato RussoO primeiro estágio veio em 1971, quando JD trabalhou no jornalismo da TV Globo, onde conheceu dois grandes ídolos: o lendário Big Boy, que apresentava um quadro de músicas no Jornal Hoje, e Nelson Motta. Um ano depois, foi contratado pela Rádio Federal, uma pequena emissora AM de Niterói comprada pela Manchete (que antecedeu as FMS Eldo Pop e Fluminense), e se tornou um fenômeno por apostar no segmento alternativo da música brasileira e do rock internacional. JD desempenhava as funções de programador e produtor.

Jorge Davidson chegou ao Departamento Internacional da EMI Odeon em 1976, tendo começado a trabalhar na Capitol, braço americano da gravadora, como label manager (gerente de produto). dedicou-se aos estudos e ao trabalho com seu cast (elenco), que incluía, entre outros, Queen, Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, The Police, Rick Wakeman, Peter Frampton, Iron Maiden, Kraftwerk e Duran Duran. Um sonho para qualquer roqueiro! Um marco de sua história na gravadora foi o show do Queen, realizado em 1981 no estádio do Morumbi, em São Paulo: Jorge foi o responsável pelo lançamento nacional do produto e pelas promoções para o espetáculo, o primeiro internacional de grande porte no país. O sucesso da passagem do grupo pelo Brasil ecoou no exterior e consolidou seu trabalho à frente do repertório internacional. Jim Beach, empresário do Queen, não poupou elogios, valorizando JD em Londres ao receber em nome da banda diversos discos de Ouro e Platina relativos ao mercado brasileiro.

Jorge Davidson com Marina LimaCom 30 e poucos anos nesta época, percebeu o surgimento de um movimento de bandas influenciadas por aquelas que ele estava ouvindo: The Clash, The Police, The Cure, Duran Duran, Stranglers, Sex Pistols, U2, Talking Heads e Elvis Costello. Eram os anos 80 e JD acertou no alvo duas vezes, ao indicar aos executivos que cuidavam do elenco nacional da EMI as bandas Blitz e Paralamas do Sucesso, dois sucessos quase que imediatos. Ele já conhecia Evandro Mesquita e o apresentou ao então diretor artístico da EMI, Mariozinho Rocha, que assinou contrato com sua banda no ato. A música dos Paralamas chegou a Davidson em fitas demo enviadas pela Rádio Fluminense, conhecida como A Maldita, que começava a abrir seu espaço para os músicos alternativos nacionais e internacionais. Encantados, os executivos da EMI contrataram o grupo de Herbert Vianna em 1983.

Na sequência, Jorge Davidson foi promovido a diretor artístico da EMI-ODEON. No novo setor, Legião Urbana foi a primeira banda que JD contratou, em 1984. Certo de que o rock era a bola da vez no mercado brasileiro, o jovem diretor circulava com desenvoltura nos espaços onde essas bandas se apresentavam: no Rio, no Morro da Urca, Circo Voador, Mamão com Açúcar, Metrópolis, Mamute,Western Club, Crepúsculo de Cubatão e Parque Laje; Jorge Davidson com o Skankem São Paulo, no Napalm, Aeroanta, Dama Xoc, Rose Bom Bom, Lira Paulistana, Madame Satã, Radar Tantã e Paulicéia Desvairada. Nesses 17 anos em que esteve no controle do setor na EMI, consagrou-se no segmento pop rock e MPB. Passaram pelo seu cast Gonzaguinha, 14 Bis, Beto Guedes, Plebe Rude, Marina Lima, Kiko Zambianchi, Vinícius Cantuária, Zero, Marisa Monte, Nana Caymmi, Dalto e Banda Reflexus.

Em 1993, Jorge Davidson aceitou a proposta e assumiu a direção artística da Sony Music, companhia na qual trabalhou até 1997. Lá, foi responsável pela contratação de Skank, Gabriel O Pensador, Planet Hemp, João Marcelo Bôscoli, Pedro Camargo Mariano, Chico Science e Nação Zumbi e Jota Quest, além de ter contribuído no desenvolvimento das carreiras de Zezé de Camargo & Luciano, Daniela Mercury, Adriana Calcanhotto e da banda Cidade Negra. Da Sony, Davidson conquistou o cargo de diretor artístico (e depois, de vice-presidente) da BMG e trouxe com ele Adriana Calcanhotto e Daniela Mercury.

Com a experiência adquirida na Sony, virou sua atenção para a música popular na BMG, colocando Fábio Júnior novamente no circuito, com um álbum que alcançou 1 milhão de cópias, e trabalhando o Só Pra Contrariar e a carreira solo de Alexandre Pires no Brasil e, cantando em espanhol, no exterior: a América Latina e a Espanha se renderam aos encantos do “mineirinho”. Entre os nomes que contratou para o elenco da gravadora estão Lenine, Ana Carolina, Leandro & Leonardo, Wanessa Camargo, grupo Revelação e Dudu Nobre. Lulu Santos, Gal Costa e Pato Fu gravaram elogiados discos neste período.

Jorge Davidson com Herbert ViannaQuase dez anos depois de sair da EMI e após cinco anos de sucesso na BMG, Jorge Davidson retornou à companhia como vice-presidente artístico em 2002, quando os Paralamas do Sucesso gravou um novo CD após o acidente de Herbert Vianna. Outro reencontro foi o de Davidson com Marisa Monte, que na época lançava o álbum Tribalistas, com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Com um mercado instável e a maior parte das gravadoras em crise, Davidson ainda conseguiu viver emoções como a de lançar o CD póstumo de Renato Russo. Marina Lima e Charlie Brown Jr. gravaram acústicos para a MTV, Felipe Dylon estreou e o Exaltasamba se consolidou no mercado do samba durante este período.

Jorge é do tempo em que os artistas disputavam os Discos de Ouro, Platina, Multiplatina e Diamante. Durante sua trajetória pelas gravadoras, viu de perto as diversas fases e faces do mercado. Em 2005, decidiu partir para a carreira solo, fundando a Breta Music e a própria editora, a Davidsongs. No mesmo ano, foi jurado nas eliminatórias do programa Fama da Rede Globo. Nos anos seguintes, atuou como produtor musical do Prêmio Multishow: em 2007, produziu os musicais de Gilberto Gil, Ana Carolina, Capital Inicial, Charlie Brown Jr, Ivete Sangalo e Paralamas do Sucesso com Nação Zumbi e Marcelo D2; em 2008, quando o evento homenageou Lulu Santos, trabalhou nos números de Lulu, Paralamas com Titãs, Vanessa da Mata, Pitty com NXZero, Frejat, Tony Garrido, Gabriel O Pensador, Samuel Rosa e Rogério Flausino. Além de reencontrar grandes amigos, conheceu e/ou se aproximou de novos nomes da música, tais como como Mallu Magalhães, Ana Canãs, Strike, Diogo Nogueira, Scracho e Vanguart. Ainda em 2008, fez a direção artística do álbum “Ana Carolina Multishow Ao Vivo – Dois Quartos”, “Paralamas/Titãs: Juntos e Ao Vivo” e ainda do DVD “O Rock Brasileiro – História em imagens”.

Jorge Davidson e Paul McCartney na mesma fotoEm 2009, prestou consultoria a EMI Music, Legião Urbana e HSBC Arena. Em 2010, realizou como diretor artístico e produtor executivo o projeto de Vanessa da Mata “Mulheres brasileiras”, que teve participações de Maria Gadu, Mallu Magalhães, Fernanda Takai, Mariana Aydar, D. Ivone Lara e Alcione. De 2009 a 2011, foi produtor artístico no Multishow do reality show Geleia do Rock, produzido pela Conspiração Filmes.

Por já ter presenciado três Copas do Mundo, a de 1990 na Itália, a de 1998 na França e a de 2006 na Alemanha, além de diversos jogos de Champions League, Ligas de Espanha, Inglaterra, Itália e Portugal, Jorge Davidson decidiu unir sua experiência musical à esportiva e ingressou no mercado de entretenimento esportivo para criar novos conceitos de atendimento ao público das arenas. Seu primeiro projeto foi a direção artística do Flu Fest, em 2010, na festa de comemoração do título tricolor na Praça da Apoteose, criando a Fluminense All Star Band, com a presença de músicos tricolores consagrados, como Dado Villa-Lobos, Paulo Ricardo Medeiros, Toni Platão, Nilo Romero, Fausto Fawcett, Milton Guedes e Sergio Knust entre outros.

Em 2012, idealizou e produziu o documentário da Conspiração Filmes “Ao Som do Mar, À Luz do Céu”, exibido no canal ESPN, contando a história do mais carioca dos esportes, o futebol de praia. Um grande evento em Copacabana reunindo futebol, música, vídeo e exposição fotográfica chamado “Futebol e Praia: Lendas, Craques e Personagens Inesquecíveis” é a próxima produção do diretor artístico apaixonado por música e futebol.

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