Gaby Amarantos lança o DVD ‘Live in Jurunas’ com show na porta de casa

A cantora paraense Gaby Amarantos lançou na porta de sua casa de Belém, neste sábado (23/03), o DVD “Gaby Amarantos: Live in Jurunas”. O show foi realizado na rua do bairro onde cresceu e foi aberto a público, aos vizinhos e a quem quisesse chegar. Dirigido pela paraense Priscilla Brasil e pelo francês Vincent Moon, o DVD mostra o show feito na “gambiarra” em 2011 e imagens de Jurunas. Confira abaixo as notas da produção.

O lugar não poderia ser outro. O endereço é a Passagem Rua Nova, no bairro do Jurunas, onde Gaby nasceu e cresceu. Não o sufi ciente, o mesmo local é ponto de saída de escola de samba e de ensaio de quadrilha junina. A vizinhança não iria se importar. O tempo também não podia ser melhor. O cronológico, porque foi o que antecedeu o boom de Gaby no horário nobre, possibilitando um show nesse formato. O climático, que aparentava deixara equipe na mão, aquietou a chuva minutos antes do programado. Gaby Live In Jurunas é bem mais que um show. É o retrato nu e cru das origens de uma estrela que o Brasil acompanha diariamente na internet e na TV – mas que talvez não entenda como e porque ela chegou ali.

As roupas e acessórios exuberantes são os mesmos, mas o contexto foge dos estúdios para a periferia de uma cidade brasileira que já é periférica dentro de seu próprio país. E, ainda assim, tudo faz sentido. É em frente a própria casa que Gaby Amarantos canta para vizinhos, transeuntes, moderninhos, bêbados e crianças. Mas é em hits como “Faz o T” e “Galera da Laje”, este último ao lado de Marcos Maderito, da Gang do Eletro, que é possível entender da onde veio o tecnobrega, o tal do“treme” e os outros passinhos: dali. Da rua. Lá, Gaby não é “exótica” e muito menos novidade. Ela é componente e, ao mesmo tempo, resultado da bagunça da periferia de Belém, onde o povo respira e se reorganiza através da sua música, da sua laje e do seu churrasquinho de calçada.

Dirigido sob os olhares de uma paraense e um parisiense, o registro exibe essa Gaby Amarantos, circulando entre o público, tremendo em cima do ombro de terceiros, chamando crianças pro palco. E com todo o vigor que a leva à feira agropecuária do interior ou aos palcos do Faustão. Essa é uma oportunidade não só para o restante do Brasil, mas para a própria elite paraense entender um pouco do que é o fenômeno Gaby, o fenômeno tecnobrega e o fenômeno Pará. Ao Jurunas, restou esperar o próximo fim de semana, e aumentar o som novamente.

CHUVA
Não à toa, esse é o nome de uma das faixas do CD de Gaby. Belém é conhecida por suas chuvas torrenciais e por possuir duas estações do ano: a que chove todo dia e a que chove o dia todo. À época em que o Live In Jurunas foi gravado, nos encontrávamos nesta última. O que poderia ter sido um desastre, se tornou quase que místico:a chuva de início de ano que assolava o domingo da gravação e já desanimava a equipe, parou magicamente instantes antes do horário previsto para o show. Na hora da “Chuva”,dessa vez, a música, um chuvisco deu as caras rapidamente, para tornar o momento cinematográfico. Após o show, uma chuva torrencial lavou as ruas do Jurunas e oficializou o fim do espetáculo.

GATO
Se as pessoas falam sobre o “jeitinho brasileiro”, é porque não conhecem o“jeitinho jurunense” de resolver qualquer parada. Foi nessa que a equipe de produção embarcou para viabilizar a energia elétrica do show. Toda a energia utilizada na apresentação – para as lâmpadas, letreiro, caixas de som e instrumentos, foi puxada por gato. Tudo isso, é claro, porque a companhia de luz foi solicitada para gerar a energia, mas não apareceu.

ORÇAMENTO
A verba de produção foi totalizada em R$800. O dinheiro foi destinado à cerveja e à feijoada que seguraram as 25 pessoas envolvidas no trabalho, entre câmeras, assistentes e banda. A feijoada foi feita por duas primas de Gaby que são merendeiras de colégio público.

CRONÔMETRO
Quatro dias de pré-produção, incluindo o da gravação. Não bastava apenas correr, era preciso voar contra o tempo. O enorme letreiro que sinalizava “Gaby” na fachada da casa da cantora foi desenhado e confeccionado por Brunno, no chão das salas da Greenvision. Apesar do talento nas artes manuais, Brunno é diretor defotografia da empresa e foi um dos câmeras durante o show. Os cinco câmeras, inclusive, foram dançando de acordo com a música. O que deu pra fazer foi, uma hora antes da apresentação, direcionar cada um deles para seu objeto principal.

SURPRESA
Não bastasseo tempo curtíssimo para a execução de um projeto tão audacioso, a mãe de Priscilla Brasil foi diagnosticada com câncer, em São Paulo, durante o processo de pré-produção. Faltando dois dias para a gravação, a diretora foi à capital paulista na sexta-feira e retornou no sábado à noite, com menos de 24 horas para o show.

TIFFANY WILSON
O menino que sobe ao palco e dá um show durante a apresentação de Gaby é Tiffany Wilson, e sim, o prazer é seu. Com alcunha criada pelo próprio, o garoto é um personagem do Jurunas, reconhecido e aceito por todo mundo. A performance de Tiffany, é claro, não constava nos planos, mas Gaby não o deixou passar desapercebido na plateia e o convidou a subir – para alegria do público e dos diretores.

TILT
Além da edição do material do Live In Jurunas já ser bastante trabalhosa e braçal,o computador de Priscilla (responsável pela edição) teve problemas durante a montagem do show. O HD queimou e resultou na perda do projeto. Só não se foram as imagens do show por que havia backup. Apesar de ter ficado arrasada, foi preciso criar forças para recomeçar. O drama foi tanto, que Priscilla nem conseguiu dividir a informação com Mathieu ou até mesmo com Gaby. Em três dias, muito menos do que da vez anterior, ela remontou todo o projeto – que, na opinião dela, não é que ficou melhor?

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