As dores e as delícias de produzir a primeira turnê da banda

Posted by Chris Fuscaldo Category: Dia a Dia Tag:

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Ninguém disse que sair em turnê com a banda seria fácil. E eu pude comprovar que realmente não é. Depois de a ECT (Eu, Chris e Taís) ter sido selecionada para participar do festival Fun Music, achei que o melhor a se fazer seria tentar marcar mais shows, afinal, já que iríamos a São Paulo, por que não aproveitar o tempo e tentar fazer mais dinheiro (a ajuda de custo não pagava nem as passagens dos músicos)?! Um mês antes, fui a Sampa a trabalho (como jornalista) e usei o tempo livre para correr atrás da produção: dois shows fechados, um antes e um depois do festival. Maravilha! No Rio, a banda era alegria só. Comemoração com dois shows na cidade maravilhosa, um no Centro de Referência da Música Carioca (30/10) e o outro no Saloon 79 (08/11). Perto do dia de viajar, os problemas começaram a aparecer…

Duas semana antes, nosso flautista diz que não tem como sair do Rio antes de quinta-feira. Putz, o show mais comemorado, que aconteceria no Studio SP, uma das casas mais hypadas da cidade, estava marcado para quarta-feira, dia 11/11. “Desmarcamos?”, questionei. Todos votaram em tocar com um “sub” (substituto). Nossa percussionista, Tatá Ogan, conseguiu o contato de um cara foda do Ceará – mas que mora em Sampa – e ele topou fazer o show. Viajaríamos na quarta e acabamos indo na segunda-feira, para podermos ensaiar com o moço. Ufa! Gil Duarte é fera e fez um showzão! Aleluia! Passamos por esta na boa.

Show no Studio SP

Show no Studio SP

A hospedagem também rendeu pano pra manga. Um amigo de infância que mora em SP ofereceu a sala de sua casa para acamparmos. Putz, o cara é amigo mesmo! Imagina aturar uma banda durante uma semana em sua casa? No primeiro dia, minha parceira conseguiu brigar com o cara. Uma brincadeira boba dele que acabou numa discussão. Havíamos acabado de chegar do Rio e estávamos exaustos, com fome… tudo errado. Depois da tensão, tudo se resolveu e meu amigo de infância e minha parceira viraram melhores roomates da história. O único problema que rendeu até o dia de ir embora foi o gato do cara que divide o apê com ele: o bichinho soltava pêlo demais e dois da equipe eram alérgicos. Até hoje tem pêlo de gato nos cases dos instrumentos.

Show na Livraria da Vila (sem Serjão)

Show na Livraria da Vila (sem Serjão)

O que deu errado mesmo foi a contagem da grana. A ajuda de custo do festival era pequena demais e o cachê do Studio SP – bacana para um show que tinha entrada gratuita para o público – ajudou, mas não resolveu (claro!). Éramos quatro desde segunda, sendo que tinha o Gil para pagar e o Baiano (o flautista original) para incluir na conta a partir de sexta. Lembre-se que, por fim, ficamos uma semana na cidade (de segunda a segunda) e a casa onde estávamos ficava no Itaim Bibi, um dos bairros mais caros de lá… No último dia, todos estavam sem um puto na carteira. Levei umas duas horas explicando que íamos ter que ficar na coxinha de galinha e tudo acabou entendido.

De tudo isso, tirei algumas lições:

1 – Cansa ser vocalista e produtora da banda ao mesmo tempo;
2 – Se não tem outro jeito, é necessário que a vocalista tire a roupa de produtora pelo menos uma hora antes do show (o que foi resolvido, foi e o que não foi, deixa pra lá);
3 – As diárias devem ser calculadas antes da viagem e não durante e paciência se o dinheiro só der para bancar uma coxinha de galinha e não um prato de arroz com feijão;
4 – É necessário fazer a banda entender que seu trabalho na produção é tão importante quando o deles na música, afinal, se não fosse por você, nenhum desses shows teriam acontecido.

Agora, vamos à parte boa da história da primeira miniturnê da ECT (Eu, Chris e Taís)…

Ensaio com Gil Duarte

Ensaio com Gil Duarte

Não posso dizer que não me diverti. Da hora em que eu, Taís Salles e Pedro Henrique Felitte (cantora e assistente de produção da banda) começamos a colocar a tralha no carro até a hora de deixá-los de volta em casa, devo ter feito um milhão e meio de abdominais. Na ida, em seis horas de viagem, falamos de tudo, rimos de tudo, inventamos uma nova língua… chegamos na intimidade total. Lá, pegamos nosso baixista, Serjão, ainda Allaude (isso é um post à parte, que prometo publicar na sequência), na estação do metrô, e buscamos Tatá em Barra Funda: segundo o policial civil ao qual pedimos informação, ela estava na rua da cracolândia. A primeira sensação foi de tensão. Depois, lembramos que viemos do Rio e… esbarrar no tráfico é com a gente mesmo! Sei que, no final, tudo que acontecia em São Paulo com a gente tinha a ver com a cracolândia ou com o engarrafamento (que também nos pegou de jeito em vários momentos).

Engraçadas eram as nossas noites, as que passamos sem palco. Na véspera do show no Studio SP, fui com meu amigo paulista, End, conhecer a casa, já que ele comemoraria seu aniversário lá no dia do nosso evento. Blackout no país! Saímos e ficamos na Rua Augusta, bebendo no escuro, com o resto da banda. Fomos parar em um lugar não divulgável e nos divertimos com atos não descritíveis. Depois, com a luz de volta e mortos de fome, fomos comer espetinhos na Praça Roosevelt. Mais cerveja, mais diversão. [Tudo nesta parte está sendo bem resumido para preservar a intimidade da banda] Chegamos às 6h e fomos tentar descansar para o grande dia, que, óbvio, começou com todo mundo de ressaca.

Eu (no telefone) e Serjão no camarim do Studio SP

Eu (no telefone) e Serjão no camarim do Studio SP

Eu e Baiano esperando o show do Fun Music

Eu e Baiano esperando o show do Fun Music

Depois do show no Studio SP, mais comemoração! Aniversário do End na Rua Augusta (mesmo boteco). Em seguida, Parlapatões (Praça Rossevelt) por sugestãode Paulo Zaidan, o produtor que me ajudou a fazer contato com a turma do Studio SP para marcar o show. Mais risadas, mais bobagens sendo faladas na mesa, a presença ilustre do grande Jamelão (um paulista bon vivant que conheci junto a End e Flávio, em uma viagem à Cuba, em 2006), mais cerveja. Chegamos na casa do meu amigo pela manhã. Dois dias de risadas por causa da ida de Serjão à Rua 25 de Março, da nossa (eu, Serjão e Taís) à Galeria do Rock, do meu encontro com Zeca Baleiro (post à parte) e da viagem a Pindamonnhangaba, onde rolou o festival.

Vendemos vários discos, tivemos espaço na mídia, fomos elogiadíssimos por todos que assistiram aos shows e ainda saímos vencedores da noite no Fun Music. Classificados para a semifinal, teremos que voltar a São Paulo em dezembro. (Ai, meu Deus! Tenho estômago para outra turnê?) No final, tudo deu certo. A última coisa que falei antes de ir dormir, às 5h da manhã de segunda, cinco horas antes de pegarmos estrada de volta para o Rio, foi: “Enquanto a banda estiver me fazendo rir desta maneira, eu topo continuar.”

Leia também:

A difícil (mas recompensadora) arte de produzir um show ou Os dez mandamentos da produção

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2 thoughts on “As dores e as delícias de produzir a primeira turnê da banda

  1. Esse post é praticamente um desabafo né? Imagino a loucura que foi. Fico feliz que no fim deu tudo certo! Que venham as próximas! Bjs saudosos. Erika

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